Cupom Mania 2


Eu publiquei há um tempo um post sobre o programa Cupom Mania da Discovery Home & Health. Foi um dos posts mais comentados deste blog e ainda hoje recebi mais um comentário sobre ele. Então vou tentar me explicar, com outras palavras:

Primeiro que eu não tenho nada contra uma promoção e um desconto. Como quase todas as mulheres deste mundo, eu adoro uma oferta: seja no mercado, na loja de roupas, na livraria, em sapatos… enfim: eu sou uma pessoa normal.

O que me causa horror neste tipo de “nóia” norte americana é a dependência que as pessoas criam em torno do que o mercado oferece a elas. Tanto é que elas passam 30, 40 horas por semana recortando cupons. No meu entendimento, isso era tempo mais do que suficiente para que esta mesma pessoa trabalhasse e pudesse gerar sua própria renda, para comprar onde e o que quiser, ao invés de virar escrava do sistema. Se um dia as promoções acabarem, a “renda” delas acabou. É uma visão a curtíssimo prazo.

E qualquer um que tenha noção de como o mercado funciona, sabe que os cupons visam estimular mais e mais o consumo. Estimulando a compra dos produtos em oferta, atraindo mais gente aos grandes supermercados e vendendo por impulso. Isso é a regra básica de qualquer ambiente varejista: quanto mais gente entra na loja, mais eles vendem. O programa mostra apenas aqueles que levam quase tudo de graça, mas não mostra os demais que ganham descontos mas também pagam pelos demais produtos.

O que essas pessoas fazem é “burlar” o sistema varejista. Mas obviamente esses produtos não saem de graça. Afinal eles foram produzidos, embalados, distribuídos e expostos: tudo isso custa. Se alguns levam tudo de graça, certamente todos os outros estão pagando por essas “compras free”. Quem paga são os demais compradores, com a margem de lucro do vendedor embutida em tudo que não está em promoção. O supermercado e a indústria nunca vão perder. A massa sim.

Por isso na minha visão isso é uma doença. A pessoa não trabalha, não produz, não gera riqueza alguma. Tampouco se preocupa com algo sustentável a longo prazo: é o cúmulo do consumismo. E, no meu entendimento, a obrigação de fornecer saúde, educação e moradia para todo mundo é do governo, não do mercado. Se nosso governo nos fornecesse isso, a economia que teríamos ao final de cada mês seria suficiente para abastecermos nossas casas. Preferencialmente com preços mais baixos a todos e não só aqueles que ficaram 40 horas recortando cupons na semana!

Me entristece


Me entristece saber que certas coisas passam e nunca mais voltam a ser como antes. Acho que para mim, o pior de ter virado adulta foi o fato de encarar os defeitos (cabeludos) daqueles que já eram adultos quando eu era criança. Isso devia ser proibido por lei. Uma vez que você conquistou uma criança e criou nela uma imagem positiva de você mesmo, você deveria manter aquela imagem ou, no melhor dos casos, ser aquela pessoa de verdade.

Uma das fases mais tristes da minha adolescência foi perceber as fraquezas, as mentiras, as enganações que rolavam num mundo próximo ao meu. Logo depois disso foi saber que aqueles que, na minha frente diziam me adorar, pelas costas me julgavam. E me julgavam na fase mais triste que vivi. Me julgavam sem nunca ter me perguntado como eu me sentia. Ou se o que eles imaginavam era correto. Sem nunca se aproximar verdadeiramente.

O nome dado a este conjunto de pessoas é “família”. Que continua por aí, falando o que não deve. Não só de mim, mas de outras pessoas “do bem”. A máxima é: se você não estiver presente, esteja certa de que o assunto será você. E, se depender de mim, o assunto será cada vez mais eu. Porque eu venho numa onda de escolhas. Fiz grandes escolhas para minha vida profissional e neste ano fiz uma outra grande escolha na minha vida pessoal. Dei um basta numa relação que não me trazia nada de positivo. Uma relação com alguém que simplesmente não sabe se relacionar. E depois de 6 anos de tentativas eu me dei por vencida.

E aí naturalmente só aquilo que é essencial sobra: um amor de vó, um amor de irmã e um amor de pai. Esse último parece ainda não estar muito convencido de que eu sou merecedora. Mas tudo bem. Eu decidi aceitar esse amor como ele é.

Mesmo assim me entristeço nas horas que me dou conta de tudo isso. Me dá vontade ser criança de novo e não enxergar os defeitos dos adultos que me cercam. Acreditar que eles gostam mesmo de mim. Acreditar no que eles dizem.

Ingenuidade pode ser uma benção. O problema é que, uma vez que você enxerga, não há como não ver mais.

Chá com as amigas


Hoje o dia foi de nostalgia. Num chá de bebê de uma amiga, reencontrei outras amigas da época de colégio, da quinta e sexta série! Meninas que eu não via há décadas. Muito bom saber que tá todo mundo bem e que a vida vai encaixando as coisas nos seus devidos lugares.

Mas mais do que isso, fiquei pensando que entrosamento e simpatia são coisas que perduram. As pessoas de quem eu gostava há 20 anos atrás continuam sendo minhas pessoas preferidas neste mundo, mesmo tendo ficado tanto tempo sem vê-las. É bom confirmar que com 11, 12 anos eu já era gente o suficiente para escolher as pessoas mais bacanas para tê-las como amigas. E me orgulha em saber que elas também me escolheram e continuam me curtindo!

Ai ai, que tarde boa de reencontro. Com vontade de passar um dia todo só colocando os causos em dia. E de ter gravado nossas peripécias de colégio para poder rever agora!

Para Simone


Si, as 24 horas do dia têm se mostrado insuficientes para fazer tudo que eu preciso. As minhas 8 horas de sono eu tenho que manter ou pifo. Aí com o trabalho ocupando mais umas 10 horas e mais umas 2 horas reservadas para o ir e vir sobraram só 4 horas. Nessas eu almoço, janto, assisto a novela (ai que raiva, comecei a assistir essa porcaria e não consigo desgrudar), tomo banho e ponto.

Mas está tudo muito bom! Ontem completei meu primeiro mês na nova casa e te digo, se os próximos meses forem assim, eu me encontrei!

Beijos e prometo escrever mais nos finais de semana: esses são só meus e do Odi!

=)

Crescimento


Foi uma cena tão, mais tão surreal que eu precisava comentar. Lá estava eu, final do dia, centro de Curitiba buscando pão de queijo para a galera do meu novo job. Tava frio, mas só do lado de fora: por dentro eu tava bem aquecida. Feliz, empolgada, contente.

Então eu encontrei um conhecido, uma pessoa que tem mais ou menos a minha idade, e que trabalha no meu antigo empregador. Um tubarãozinho de meia tigela. Achei que ele fingiu não me ver, mesmo assim fui cumprimentar. Rolou aquele papinho de sempre: como estão as coisas, o que você está fazendo da vida, blá, blá. E aí, quando eu contei que estava super feliz, que tinha mudado de área e estava trabalhando em agência de publicidade, o carinha me olha sério e pergunta: “Mas dá pra crescer mesmo nesse tipo de negócio?”.

Eu não sabia se dava um murro na cara dele ou se deixava ele falando sozinho. Minha boa educação me mandou responder que sim, mas que não era isso que estava me empolgando. Respondi que eu estava feliz pelo trabalho, pelas pessoas, pelo mundo novo que estava conhecendo. Aí vi que ele fez cara de que não estava entendendo e bem na hora a moça me entregou meus pães de queijo. Dei tchau e fui embora. Fui embora pensando: puta que pariu!

Porque, em primeiro lugar, eu já cresci. Já tenho 31 anos. Segundo lugar, se crescer significa ser CEO, CMO, CFO ou qualquer outro chief da vida, tá fácil porque trabalho numa agência que ainda é pequena e eu mesma escolhi o nome do meu cargo. Posso pedir segunda-feira para os meninos me nomearem a chief que eu inventar! Terceiro, se crescer é ganhar rios de dinheiro, eu deveria procurar a prostituição. Não a prostituição corporativa, porque dessa eu escapei há tempos. Mas sem dúvida alguma eu cresceria bem mais rápido do que trabalhando em qualquer outro ramo! Era isso tudo que eu queria ter dito, depois do murro imaginário que dei na cara dele.

Porra, que gentinha viu? Que pensamentinho capitalistazinho de traineezinho mesquinho que só pensa em crescer… crescer o que? Para onde? Crescer é ficar trancado, com a bunda colada na cadeira, num escritório das 8 às 20, fazendo planilha para mandar para Londres? Crescer é passar 20 anos fazendo isso até ter um AVC? Então parabéns pelo seu crescimento!

Já eu não quero crescer nem para cima e muito menos para os lados. Já estou com mais tamanho do que deveria. O único lado que eu quero que cresça é o de dentro. Com muita coisa nova, com desafio, com pensamentos novos e idéias malucas que eu nunca pude colocar em prática. Se eu quero ter um salário bacana no final do mês? Óbvio que quero, mas só se junto com isso vier liberdade, criatividade, respeito e gente bacana no mesmo barco que eu. Sem isso, o crescimento não é sustentável!

E você, trate de crescer mesmo, seu bebezão!

Para entender as pessoas é preciso de entregar a viagem


“A Missão do Gerente de Recursos Humanos” é um filme israelense, curioso, triste, cinza e longo. Muito longo. Trata da jornada do Gerente de Recursos Humanos da maior panificadora de Jerusalém para levar o corpo de Yulia Petracke – uma funcionária morta em um atentado terrorista – de volta a sua terra natal. Essa tal terra natal – que no filme nunca é denominada – fica muito longe. É um lugar inacessível, difícil de se alcançar, que para mim (que não entendo nada de Judaísmo) simboliza o paraíso que tanto Yulia quanto o Gerente de RH tentam alcançar. Lendo as críticas descobre-se que o tal vilarejo fica na Romênia, inclusive onde parte do filme foi rodado.

A saga do “Sr. RH” inclui o drama familiar encarnado pelo ex marido e pelo filho de Yulia a quem supostamente ela tinha abandonado buscando uma vida melhor em Jesuralém. E o drama do próprio Gerente é marcado pela falta total de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Sua mulher e sua filha cobram a sua presença e ele tenta cumprir promessas para agradar ambos os lados. Como se não bastasse, o maior jornal da cidade tenta manchar a reputação da empresa com a morte da imigrante, já que Yulia estava em situação ilegal em Jerusalém.

É com o espírito de devolver Yulia à sua família e limpar o nome da empresa que ele embarca numa viagem, no mínimo, curiosa. Depois de dias viajando de avião, de van e até com um tanque de guerra, passando por todos os percalços possíveis em um país pobre e ainda muito marcado pela dominação soviética, o Gerente de RH chega ao tal vilarejo. Lá ele descobre que a mãe de Yulia – a única que pode assinar a documentação da filha, já que o filho de Yulia é menor de idade – acha um erro sua filha ser enterrada no lugar de onde fugiu. É uma longa jornada que acaba por voltar a estaca zero: o “Sr. RH” tem de fazer o caminho de volta. É daqueles finais nos quais você suspira e solta um “eu não acredito nisso”. Mas o Gerente – que é um homem genuinamente bom e mostra isso ao longo de todo o filme – o faz com um sorriso simpático nos lábios que, junto com a ligação rápida que faz para a esposa dizendo “estou voltando para casa”, mostra que ele se entregou a viagem e entendeu que tanto seu lugar quanto o lugar de Yulia é em Jerusalém.

Fiquei com muita vontade de assistir a outros dois filmes do mesmo cineasta - Eran Riklis: “A noiva síria” e “Lemon Tree” – que, segundo a crítica, tem como foco o assunto sem fim da política do Oriente Médio.

Valeu o din din da locação: para tentar entender, mesmo de longe, uma realidade tão diferente da nossa. Recomendo!

Imagem: reprodução.

2 Coelhos


Na sessão cineminha de ontem assistimos ao brasileiríssimo “2 Coelhos”. Eu e Odi ficamos de olhos vidrados no filmão, que foge a todos os esteriótipos de filme nacional e que adota alguns outros,  numa trama aparentemente desconexa e absurda. Mas que aos pouquinhos vai se revelando.

Pesquisei as críticas do filme e achei diversas falando que o filme não presta e outras bem semelhantes ao que eu penso sobre o filme. E achei uma tão bacana que decidi colocar ela inteira aqui. O texto é do Roberto Guerra para o Cineclick. 

“Para os espectadores que vão ao cinema assistir a Dois Coelhos estimulados pelo trailer do filme repleto de cenas de ação, segue um aviso importante: prestem atenção na história. Vocês já saberão o porquê. Antes, relaxem. O clipe não vende gato por lebre (ou coelho, no caso). O longa é de fato movimentado, cheio de  tiroteios, perseguições, explosões e desenvolvido de forma empolgante e dinâmica. Só que tudo isso está inserido numa trama fragmentada, cheias de idas e vindas e, caso o espectador não fique atento, pode perder o fio da meada.

Em resumo, o enredo de Dois Coelhos é centrado no personagem Edgar (Fernando Alves Pinto). Ele encontra-se em situação semelhante a de muitos brasileiros: espremido entre a criminalidade, que age impunemente, e o poder público, que só funciona galvanizado pelo dinheiro da corrupção. Cansado da situação, resolve se redimir de um erro do passado e, ao mesmo tempo, fazer justiça com as próprias mãos. Para isso, elabora um plano que colocará criminosos em rota de colisão com políticos gananciosos. Na medida que seu plano é executado, descobrimos pouco a pouco suas reais intenções e sua história, marcada por um terrível acidente e uma arrebatadora história de amor.

O longa é um thriller de ação com trucagens e efeitos de pós-produção que o espectador está mais do que habituado a ver, mas não com atores brasileiros e diálogos em português. Nomes consagrados como Guy Ritchie, Quentin Tarantino e Christopher Nolan serviram de parâmetro para o estreante Afonso Poyart realizar um filme jovem e moderno ambientado na capital paulista.

O problema é que ser jovem e moderno hoje significa dar ao filme cortes rápidos e linguagem de videoclipes. Essa velocidade “obrigatória” acaba por prejudicar o desenvolvimento da trama. O plano de Edgar de colocar criminosos indo de encontro a políticos corruptos – e tudo o que se esconde por trás disso – tem seu entendimento ameaçado pelo desenrolar frenético do filme. O humor acaba responsável pelo alívio, a pausa, a respirada que a montagem não trás. Por outro lado, este mesmo humor é bem-vindo para ajudar a compor a identidade nacional do filme.

Não à toa, pedi no início do texto para o espectador prestar atenção à história. Se não se perder nas muitas idas e vindas da trama e seu sem número de informações visuais, vai matar dois coelhos com uma cajadada só: assistir a um filme com bons efeitos e muita ação e desfrutar de uma produção empolgante e de desfecho explosivo (e o “explosivo” aqui não é mera força de expressão).”

Eu confesso que o ritmo alucinante do filme me irritou muito nos primeiros 10 minutos. Dei uma pausa, tomei uma água e voltei com a alma aberta para entrar na história de verdade. Aí  a coisa rolou mesmo e nós amamos o filme. Justamente por ver tanto efeito bacana feito aqui, nas cenas com São Paulo de fundo, com atores brasileiros. Realmente não era o que a gente esperava: era muito melhor! Fora o final que é lindo. O Edgar tinha um propósito bem bacana que dá o título do filme: matar dois coelhos com uma “caixa d’água só”. Ele conseguiu. E eu e Odi ainda nos divertimos com a semelhança física entre ele e o Fernando Alves Pinto. Foi muito engraçado. Em vários momentos eu tive a sensação que era o Odi ali na tela, beijando a Alessandra Negrini – ai que ódio! Ah, a trilha sonora com muito Titãs arrasa!

Assistam gente! Vale a pena mil vezes!

Imagem: reprodução.