Eu publiquei há um tempo um post sobre o programa Cupom Mania da Discovery Home & Health. Foi um dos posts mais comentados deste blog e ainda hoje recebi mais um comentário sobre ele. Então vou tentar me explicar, com outras palavras:
Primeiro que eu não tenho nada contra uma promoção e um desconto. Como quase todas as mulheres deste mundo, eu adoro uma oferta: seja no mercado, na loja de roupas, na livraria, em sapatos… enfim: eu sou uma pessoa normal.
O que me causa horror neste tipo de “nóia” norte americana é a dependência que as pessoas criam em torno do que o mercado oferece a elas. Tanto é que elas passam 30, 40 horas por semana recortando cupons. No meu entendimento, isso era tempo mais do que suficiente para que esta mesma pessoa trabalhasse e pudesse gerar sua própria renda, para comprar onde e o que quiser, ao invés de virar escrava do sistema. Se um dia as promoções acabarem, a “renda” delas acabou. É uma visão a curtíssimo prazo.
E qualquer um que tenha noção de como o mercado funciona, sabe que os cupons visam estimular mais e mais o consumo. Estimulando a compra dos produtos em oferta, atraindo mais gente aos grandes supermercados e vendendo por impulso. Isso é a regra básica de qualquer ambiente varejista: quanto mais gente entra na loja, mais eles vendem. O programa mostra apenas aqueles que levam quase tudo de graça, mas não mostra os demais que ganham descontos mas também pagam pelos demais produtos.
O que essas pessoas fazem é “burlar” o sistema varejista. Mas obviamente esses produtos não saem de graça. Afinal eles foram produzidos, embalados, distribuídos e expostos: tudo isso custa. Se alguns levam tudo de graça, certamente todos os outros estão pagando por essas “compras free”. Quem paga são os demais compradores, com a margem de lucro do vendedor embutida em tudo que não está em promoção. O supermercado e a indústria nunca vão perder. A massa sim.
Por isso na minha visão isso é uma doença. A pessoa não trabalha, não produz, não gera riqueza alguma. Tampouco se preocupa com algo sustentável a longo prazo: é o cúmulo do consumismo. E, no meu entendimento, a obrigação de fornecer saúde, educação e moradia para todo mundo é do governo, não do mercado. Se nosso governo nos fornecesse isso, a economia que teríamos ao final de cada mês seria suficiente para abastecermos nossas casas. Preferencialmente com preços mais baixos a todos e não só aqueles que ficaram 40 horas recortando cupons na semana!

